Testes Imunológicos

Avalicação de alergias e atividade do sistema imunológico


Há 4 tipos de testes que podem ser realizados para avaliar se uma pessoa tem alergia à alguma substância ou se suas células imunológicas, estão ativas e prontas para nos defender ou não.

Descreveremos os procedimentos de realização básicos para os 4 testes e suas interpretações básicas.

No entanto, como este é um assunto longo e que requer algum pré-conhecimento de imunologia básica, o conteúdo desta pagina, talvez não seja apropriado para quem deseja obter conhecimentos específicos de suas aplicabilidades clínicas.

Teste de Puntura

Teste no Sangue

Teste de Contato

Teste Intradérmico





Testes de Puntura (Prick Test)


Os testes de puntura baseiam-se no princípio de que, tendo o paciente atópico imunoglobulinas IgE específicas aos antígenos que estão sendo testados, ocorrerá liberação de substâncias farmacologicamente vasomotoras e liberação de substâncias do interior das células, produzindo edema, eritema e uma pápula.

Pápula Eritomatosa - O mecanismo é o mesmo da anafilática sistêmica, mas a reação é localizada, uma vez que há fixação do anticorpo e liberação de substâncias vasodilatadoras.

Consiste em um teste epicutâneo em que um puntor ou agulha (punção ou escarificação) é utilizado para expor a epiderme a uma quantidade estimada de 1μL do antígeno que se deseja testar. Este teste é baseado em uma reação do Tipo I, ou seja envolve IgE. A leitura ocorre cerca de 15 minutos após. A análise da reatividade se faz medindo a pápula. A quantificação será medindo o maior e a menor distância de ambos, soma-se cada um e divide-se por dois (medidas em milímetros). Este é o diâmetro papular médio (DPM).

As reações imunológicas podem ser classificadas conforme a tabela proposta por Coombs e Gell. Estas reações datam de 1963, por P. H. G. Gell and Robin Coombs, em quatro tipos, numerados de um 1 a 4. Atualmente temos uma atualização incluindo o tipo V.






• Testes muito juntos (< 2 cm)
• Indução de hemorragia, levando resultados falso-positivos
• Penetração insuficiente da lanceta ou estilete na pele, levando ao falso-negativo
• Escorrimento das soluções de alérgenos durante os testes ou mistura.

• Reação Irritante
• O dermografismo
• A contaminação de um extrato alérgeno
• A proximidade a uma reação mais forte

• Extrato com baixa potência
• Medicamentos imunosupressores, anti-histaminicos, costicosteroides
• Doenças atenuantes a resposta da pele, por exemplo, eczema
• Técnica inadequada (sem punção ou insuficiente)

• Qualidade do extrato alérgeno (padronizado)
• Área do corpo, punho menos reativa
• Idade, menos reativo após 50 anos
• Drogas



Testes no Sangue (ImmunoCAP)

É um teste alérgico baseado em IgE específica, sendo aplicado diretamente sobre o sangue do paciente. Este teste tem alta especificidade, pode ser executado independente da idade, condição cutânea, medicação, sintomas, atividade da doença ou gravidez. Este método consegue medir com precisão os anticorpos IgE e fornece a quantidade de anticorpos IgE específicos.

Desvantagens quando comparado ao Teste de Puntura (Prick Test):

- É mais demorado, pelo menos 24 horas para ter o resultado
- Testa apenas os antígenos principais (Não usa padronização baseada na população brasileira).
- Tem um custo elevado em relação ao Teste de Puntura (Prick Test)


Teste de Contato (Pach Test) – DCA VS. DCI

Os testes de contato assim como os testes intradérmicos avaliam reações do Tipo IV, que envolvem linfócitos T. A diferença esta no tipo de antígenos que são testados, a maioria são produtos químicos e não biológicos, como acontece nos testes de puntura.

Basicamente com contensor com vários poços são preenchidos com uma mistura do antígeno a ser testado em uma base de vaselina solida e este contensór é colado, geralmente, nas costas no paciente, onde deve permanecer por 48 horas. O resultado positivo se caracteriza pela presença de uma dermatite de contato.

Dermatite de contato é uma reação inflamatória cutânea caracterizada morfologicamente por lesões do tipo eczema, ou seja, eritema, vesícula, exsudação, pápulas, escamas e liquenificação, que podem ocorrer isoladas ou simultaneamente.

Estas dermatites são resultantes da exposição direta a algum agente externo (molécula estranha) com participação ou não de luz ultravioleta.

Observação: Embora as dermatites de contato (DC) sejam frequentemente associadas à etiologia alérgica, cerca de 80% das dermatites de contato são provocadas por substâncias irritantes, sendo que as reações observadas podem ser difíceis de serem diferenciadas de uma dermatite causada por uma irritação a substância testada.

O processo inflamatório da dermatite de contato alérgica (DCA) é mediado por mecanismos imunológicos, podendo ser causadas por substâncias inorgânicas, orgânicas, vegetais ou sintéticas, enquanto que a dermatite de contato por irritantes (DCI) é causada por dano tissular direto após contato com o agente agressor que inicia a reação inflamatória.

DCI – Reação desencadeada por um irritante primário, causando reações intensas com bolhas e ulcerações com aspecto de uma “queimadura”, os ácidos e álcalis são os principais exemplos. Também pode ser causada por um irritante primário que danifica a pele após contatos repetidos ou prolongados, sabões e detergentes, fezes, urina são os principais exemplos.

OBS.: Qualquer fase da histologia da DCA é virtualmente indistinguível do eczema numular, do eczema desidrótico e da DCI da forma moderada. O mesmo acontece com as fotodermatites DCI e DCA.

DCA – O antígeno, que em geral é um hapteno, quando solúvel, é melhor absorvido pelo espaço intercelular, entrando a seguir em contato com os queratinócitos. Dependendo da sua concentração uma substância pode funcionar como um hapteno, em baixas concentrações pode levar a uma DCA, ou em altas concentrações funcionar como um irritante primário, levando a DCI. As células de Langerhans reconhecem o antígeno somente no estado haptênico.

Diagnóstico Diferencial A DCA e a DCI são de difícil distinção tanto clínica como histologicamente, podendo às vezes ser diagnosticada através dos testes de contato. As dermatites de contato devem ser diferenciadas principalmente com outros tipos de lesões dermatológicas como os eczemas, as infecções, as fotodermatites e algumas lesões não eczematosas.

O Teste de Contato é as vezes de difícil distinção, pois a hitória do paciente não é relevante. O Teste de Contato pode ser de grande valia quando indicado apropriadamente, mesmo que o resultado seja negativo. Não devemos fazer o Teste de Contato se a dermatite for aguda, subaguda ou grave.

A exclusão do agente causador é a terapêutica mais eficaz na dermatite de contato, e não pode ser substituída por nenhuma outra forma de tratamento.


Teste Intradérmico (Intradermal Test)

Definição: É um teste que se baseia na hipersensibilidade do tipo retardado (Tipo IV) é uma forma de resposta mediada por células, em que a célula efetora é o fagócito-mononuclear (macrófago) ativado. Basicamente são injetados antígenos de 0,05mL ou 0,1mL de forma intradérmica em indivíduos, presuntivamente sensibilizados por agentes químicos ou ambientais.
Como resultado, ocorre uma inflamação no local com formação de granuloma e a resolução é mediada por macrófagos.

Etapa de Sensibilização: Os indivíduos que apresentam resposta positiva ao teste, necessariamente tem uma etapa de sensibilização, ou seja, são expostos previamente ao antígeno, produzindo linfócitos T de memória. (LTm). Os linfócitos Th-1 ativam a resposta imune celular contra o antígeno no local de contato com o antígeno, através da secreção de citocinas.

Etapa de Exposição: Quando o indivíduo entra em contato pela segunda vez com o antígeno, ocorrerá uma reação de hipersensibilidade retardada. Este contato faz com que as células liberem IL-1 e FNT que vão recrutar linfócitos para o local. Os linfócitos de memória que chegam, são apresentados aos antígenos pelos macrófagos.

As citocinas realizam os efeitos que caracterizam a reação de hipersensibilidade retardada: A IL-2 induz a proliferação dos LTm específicos e de LT não específicos que chegam ao local.

Reação Observada (geralmente após 48 horas): O eritema e a enduração ocorrem principalmente pela produção de prostaglandina (vasodilatadora), pelo endotélio e a enduração é em função do fibrinogênio que extravasa para o tecido.





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