Basicamente o objetivo da imunoterapia é fazer com que o organismo do paciente diagnosticado com atopia há um ou mais antígenos, seja capaz de tolerar a presença destes antígenos sem que apresente os sintomas típicos das alergias. Na imunoterapia utiliza-se apenas antígenos de origem biológicos, ou seja proteínas em sua maioria e açucares específicos.
O processo consiste em aplicar doses em concentrações muito baixas do mesmos antígenos que causam as alergias nos pacientes atópicos, estas aplicações devem ser contínuas e em intervalos periódicos, estas são divididas por frascos e a cada mudança de frasco há um aumento da ordem de grandeza de 10 vezes até que a dose de indução (a dose máxima tolerada pelo paciente), a partir daí os intervalos entre as aplicações aumentam e o volume aplicado permanece o mesmo.


Injetável subcutaneo

Injetável (subcutânea) – neste tipo são utilizadas doses inicialmente doses baixas dos antígenos que se deseja realizar a tolerância. Em doses que geralmente começam por 0,1mL e vão sendo acrescidas 0,1mL até atingir o máximo de 0,5mL. Há exceções onde são aplicadas doses de 0,8mL e 1,0mL que são consideradas doses despadronizadas e é responsabilidade do médico assistente.
Há duas apresentações no Brasil uma que utiliza o excipiente aquoso e outra o excipiente precipitado tipicamente nos referimos a estes como “diluentes aquoso” e “diluente AP”.
No caso do diluente Aquaso os antígenos estão em solução, e podem ser aplicados em intervalos mais curtos do que o classicamente utilizado que é de 7/7 dias, podendo utilizar intervalos de 3/3 dias e 5/5 dias.

Injetavel subcutaneo AP

No caso do diluente AP, este tem várias sinonímias, tais como Ação Prolongada, “Depot” e “Retart”. Os antígenos neste diluente estão associados covalentemente a uma substância que os precipita, então ao contrário do Diluente Aquoso este é uma suspenção. A maioria dos laboratórios utiliza o hidróxido de alumínio, a aparência do produto final é um pó branco no fundo frasco. Outros laboratórios utilizam o alginato de sódio, neste caso o precipitado é bem mais discreto. A perda de antígenos no processo é grande o que torna este antígeno mais oneroso.
Com esta ligação os antígenos permanecem mais tempo em circulação no organismo, portanto podem ser utilizadas doses com intervalos de aplicação mais longos, 10/10 dias por exemplo.
Como são precipitados os frascos devem ser agitados antes de ser retirada a dose para aplicação.
Vantagem: esta imunoterapia apresenta uma melhora sintomática com um pouco mais de um mês de uso e seus efeitos são duradouros.
Desvantagem: como as aplicações envolvem o uso de seringas, é necessários que os pacientes tenham alguma habilidade para auto-aplicação ou que tenham que buscar profissionais de saúde particulares ou postos de saúde para que sejam realizadas as aplicações.

Oral

Oral (Sublingual ) – neste caso os antígenos estão em uma solução de glicerina geralmente a 30% e devem ser pingados gosto abaixo da língua. O uso clássico são 3 gotas duas vezes ao dia ou 6 gotas uma vez ao dia. O aumento da dose ou redução esta a critério do médico que vai avaliar o paciente. Geralmente é utilizada em pacientes que tem aversão a seringa ou em crianças jovens devido a facilidade de aplicação. Da mesma forma que a imunoterapia injetável são utilizadas frasco com concentrações que aumentam na ordem de grandeza de 10 vezes. É comum começar com uma concentração amis alta devido a perda causada pela via de aplicação.
Uma observação é de que após a aplicação o paciente deve permanecer pelo menos 30 minutos sem ingerir líquidos e alimentos e é recomendável armazenar em porta de geladeira após o primeiro uso.
Como são precipitados os frascos devem ser agitados antes de ser retirada a dose para aplicação.
Vantagem: facilidade aplicação e adesão ao tratamento, maior segurança no caso de imunoterapias para insetos picadores. Pode ser utilizado em crianças com pouca idade.
Desvantagem: o tempo para percepção de melhora dos sintomas pode ser maior.

Nasal

Nasal (intranasal) – neste tipo de imunoterapia os antígenos são aplicados através de jatos de 0,1mL em cada narina, inicialmente em dias alternados na primeira semana e diariamente uma vez ao dia até o termino do frasco. Assim como as demais imunoterapias há mudança de frascos com aumento na ordem de grandeza das concentrações.
Vantagem: alívio dos sintomas em uma semana, pois estimula a produção de IgA protetora nas mucosas impedindo que os antígenos desencadeiam a reação alérgica.
Desvantagem: os sintomas retornam com a suspensão deste imunoterapia, portanto sua aplicação deve ser utilizada para alergias perenes.


Perguntas frequentes
Quem pode fazer Imunoterapia?

A imunoterapia é recomendada pela Organização Mundial da Saúde como a única forma de alterar o curso de uma patologia alérgica. Não pode ser aplicada a todas as alergias.
Deve ser utilizada em pacientes cujo histórico clínico corrobore os testes epicutâneos ou sanguíneos para os antígenos os quais se pretende fazer a imunoterapia.

Alguns medicamentos podem interferir a eficácia da imunoterapia, tais como antibióticos, corticosteroides, ou qualquer substância que tenha a função de suprimir as capacidades imunológicas em parte ou em sua totalidade. Nestes casos é indicado concluir a terapia medicamentosa e seguir com a imunoterapia.
Pacientes que fazem uso de imunossupressores não devem utilizar a imunoterapia, pois os estímulos da imunoterapia podem aumentar o risco de rejeição aos órgãos transplantados.
Em grávidas não deve ser utilizada, principalmente até o terceiro mês de gravidez devido ao risco de potencializar a rejeição ao feto, já que nas grávidas o sistema imunológico esta naturalmente imunosuprimido para que o feto não seja abortado.
É desaconselhado também seu uso em pacientes que desejam engravidar pelos mesmos motivos citados acima.
Na fase de amamentação não há indicativo de que não posso ser realizada a imunoterapia, no entanto, deixamos a critério médico seu uso, sempre avaliando se os riscos de iniciar uma imunoterapia inferiores aos benefícios que esta pode proporcionar.

Atualmente o que é comercializado no Brasil são as apresentações injetáveis (subcutânea), oral (sublingual) e na forma de Spray Nasal (intranasal). Em outros países temos ainda a apresentação na forma de tabletes que são colocadas abaixo da língua até que seja absorvido.

No caso da Oral e Injetável a Organização Mundial da Saúde preconiza pelo menos por 2 anos. No entanto, este tempo pode variar, dependendo da avaliação do médico assistente.
A imunoterapia Nasal ou Intranasal tem seu uso limitado a situações de pacientes atópicos perenes ou como forma estratégica para melhorar os resultados, iniciando a imunoterapia na forma Intranasal e continuando com a imunoterapia injetável.

O ideal é utilizar apenas os antígenos com os resultados mais proeminentes nos testes de puntura (prick test) ou sanguíneo. Alguns artigos científicos levantam a hipótese de que alguns antígenos poderiam reagir com outros e alterar suas características, no entanto, ainda não há uma fundamentação sólida para tal hipótese. Em artigo veterinários a quantidade de antígenos por imunoterapia é maior que 20 e em todos os casos as imunoterapias foram bem sucedidas. Este assunto será bordado no tópico Imunoterapia Avançada.





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