PPD - Purified Protein Derived

Em uma busca on line encontraremos rapidamente estas respostas, mas nunca de forma completa, pois para isso precisamos voltar no tempo.
Todas as crianças devem ser vacinadas o quanto mais cedo com a vacina de BCG (Bacilo de Calmette Guérin) atenuado (pelo menos 70% deve estar integro), a bactéria utilizada é o Mycobacterium bovis (Tuberculose Bovina), ao contrário do que a maioria imagina a bactéria utilizada para imunização contra tuberculose não é o Mycobacterium tuberculosis.
Isso acontece devido ao risco de causar uma infecção por tuberculose (tuberculose pulmonar, meningite tuberculosa e tuberculose miliar – forma disseminada).
Por simples lógica existe uma reação cruzada entre as bactérias M. bovis e M. tuberculosis.
A questão que surge após a vacinação e o tempo de pelo menos 24 semanas é de se a vacina realmente imunizou o paciente.
Para realizar este teste precisamos provocar uma reação local com antígenos do patógeno da tuberculose, então foram purificados antígenos específicos do M. bovis no Brasil e do M. tuberculosis fora do Brasil, daí o nome PPD – Derivado de Proteína Purificada (Protein Purifield Derivated).
O maior problema na época, ou seja, década de 90 era que muitas empresas vendiam o concentrado de PPD e cada laboratório usa fatores de diluições diferentes, o que impossibilitava a comparação dos resultados.
A OMS apoiou o Statens Serum Institut da Dinamarca a padronizar um teste de PPD pronto para uso onde os resultados poderiam ser comparados, foi chamado de PPD-RT 23, a codificação tem relação com a cepa utilizada de M. tuberculosis. Atualmente o fornecedor é AJVaccines localizada em Copenhague, capital da Dinamarca.
No Brasil apesar da orientação da OMS para o uso deste PPD-RT 23, por questões de custo e rapidez, o PPD amplamente utilizando continuou a ser o PPD de M. bovis.
A questão que surge é se a vacina de BCG que usa o M. bovis gera imunização contra o M. tuberculosis, portanto são geradas células de memória, que tem capacidade para combater o M. tuberculosis, mas se queremos ter certeza de que esta imunização foi eficiente os antígenos purificados devem ser de M. bovis ou de M. tuberculosis? Devido a reação cruzada ambos podem ser utilizados desde que as concentrações, formulação e a metodologia de aplicação seja a mesma.

Há vantagens ou desvantagens de um tipo para outro?

Fora as questões de custo mais elevado e logística da cadeia de frio para importação e entrega do PPD-RT 23, na prática clínica o PPD obtido de M. bovis apresenta resultados menos inconclusivos do que o que PPD-RT 23.
O teste de PPD seja qual for sua origem (M. bovis ou M. tuberculosis), não é um teste diagnóstico da tuberculose, serve apenas para saber se o indivíduo vacinado desenvolve células de memória imunológica (linfócitos B). O diagnóstico conclusivo é feito com a cultura do escarro (método muito demorado) ou usando a tecnologia do PCR para identificar a presença do material genético da bactéria.
Um teste positivo em qualquer PPD indica que o paciente foi imunizado, um teste negativo indica que o paciente não foi vacinado ou a vacina não foi eficiente em gerar imunização ou o paciente está em fase aguda. Um teste positivo forte pode indicar a patologia ou apenas que o paciente mantém um estoque alto de células protetoras ativas. Com qualquer dos testes a interpretação pode ser complexa e o paciente deve ser avaliado de forma geral. Há muita informação on line incorreta que restringe a interpretação a simples medida em milímetros da enduração e eritema formado após 72 horas da aplicação).
Em alguns casos o teste de PPD é utilizado para realizar uma amostragem em uma população especifica, por exemplo funcionários de frigorifico, e os casos que gerarem dúvidas são encaminhados para avaliações mais específicas.
Partindo-se do pressuposto de que se o indivíduo foi vacinado, podemos utilizar o teste de PPD como um avaliador das atividades imunológicas do paciente, indicando algum tipo de supressão imunológica ou o bem-estar imunológico do paciente.

Conclusão:

Se os testes conseguem chegar ao mesmo resultado e não são testes diagnósticos e ambos têm as mesmas complexidades de interpretação, aplicando-se o princípio de custo-benefício-logística o melhor é utilizar o PPD de M. bovis.

Referências:

1- Bula PPD de Mycobacterium bovis
2- Sarinho, E. et al. Viragem Tuberculínica Pós-Vacinal com PPD Derivado de BCG. Bol. of Sanif. Panam. 111(5), 1991, pag. 402-405.
3- Prova Tuberculínica. Disponível em https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Tuberculose/folder-prova-tuberculinica-2016.2.pdf. Acessado em 31/05/2019.
4- Monteiro, A. M. Comparação de testes sorológicos para o diagnóstico da tuberculose. MINISTÉRIO DA SAÚDE FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA CURSO DE MESTRADO EM SAÚDE PÚBLICA. 2010.